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domingo, 9 de outubro de 2011

A INDIVIDUAÇÃO - JUNG


O processo de individuação visa a compreensão do sujeito perante seu consciente e inconsciente, é um processo para fazer o individuo tornar-se o que ele realmente é, através de sua diferenciação e de sua singularidade a pessoa consegue manifestar a sua especificidade.

Mas para que esta manifestação ocorra é necessária uma aceitação de si mesmo com todas as suas potencialidade e dificuldades, pois sem elas é impossivel constituir a nossa especificidade.
Entretanto ao tornar-se o que se é não significa tornar-se algo estático e fixo, mas sim um processo de aceitar em si cada vez mais o que se é, de uma forma onde os padrões dos pais, dos papéis exigidos pela sociedade, é como um processo de atingir a maioridade.

A psicologia Jungiana acredita que o que está fora também está dentro, e o que está dentro também está fora, temos como objetivo não apenas se libertar de valores, normas coletivas e expectativas de papéis, mas de aprender a se relacionar com o inconsciente, com o que acreditamos ser desconhecido, o nosso ser não deve ser determinado pelo inconsciente juntamente com valores criados culturalmente.

Com essa consciência caminhamos para deixarmos de ser presos por padrões que não são nossos, com esse reconhecimento dos padrões de exteriores é possivel separa-los ou liga-los a imagem de si-próprio constituindo um processo de integração do sujeito.

A individuação será sempre um objetivo a ser perseguido eternamente, pois tornar-se si mesmo em uma sociedade bombardeada de padrões, é uma completa utopia, no melhor dos casos estamos nesta constante estrada.

domingo, 25 de setembro de 2011

O PODER DAS PALAVRAS


O nosso mundo é carregado de uma atmosfera opressiva de afetos e palavras, são as palavras que nos ameaçam, nos oprimem, mas também são elas que podem nos libertar. As palavras trazem ensinamentos e nos moldam de acordo com o coletivo, elas nos dizem como devemos ser com os moldes dos outros, o que vem a criar dentro de cada um de nós uma voz autoritária, esta que termina por dirigir as nossas vidas, ela pode ser representada de diversas formas: o pai, a familia, a religião ou o social.

A consequencia disto, é que estamos sempre ou quase sempre anulando os nossos pensamentos, sentimentos e atos, porque os outros acham que não se pode, que não se deve, que não fica bem, que não é certo e etc. E em virtude da nossa não ação nos aprisionamos pela pressão externa do social, vivendo tolhidos e desenvolvendo uma exsistencia angustiada.

Vivemos em um mundo em que estamos em permanente relação com o outro, e ao curso da nossa vida com palavras nós influenciamos e somos influenciados, sufocamos e somos sufocados,e é pelas palavras que aprisionamos e somos aprisionados. A nossa angustia surge por nos sufocarmos para satisfazer as expectativas dos outros e ao fazer o que eles esperam de nós, anulamos nossa liberdade e espontaneidade, o que me traz mais tristeza é que a maioria das pessoas não percebe esse processo, apenas sente seu efeito. A Aflição.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

COMO VOCÊ REAGE A UM "NÃO"!!!!


Como respondemos a um não? Como reagimos frente a negação de um desejo?
Todo desejo causa alguma tensão em nós, e temos a sensação de que esta tensão só passará assim que realizarmos esse nosso desejo. A satisfação só virá a partir da satisfação deste nosso especifico desejo, mas e quando não conseguimos realizá-lo quais são nossas reações?

Digamos que uma mulher deseje muito um homem, e que este sentimento não seja recíproco da parte dele, e não queira ficar com ela, este “não” é um impedimento do qual a mulher não tem nenhum controle, e ao entrar em contato com esse não é criado um impasse na realização do desejo feminino, ela sente que pode realiza-lo mas a realidade externa impede esta realização. Como conseqüência a mulher sente-se FRUSTRADA.

Ao sentir-se frustrada a mulher aproxima-se mais do seu conceito de autoimagem perante a realidade, tornando-se mais realista e menos idealista, mas o problema está apenas começando, ao poucos a mulher vai começando a aceitar o não, mas sua mente pode lançar uma idéia para evitar esta realidade e consequentemente uma mudança em seu autoconceito, essa idéia é uma racionalização para manter a ilusão de que o seu desejo foi apenas adiado e ainda pode ser satisfeito, ela pode racionalizar que ele lhe diz não e que “é porque tem medo de namorar, de se envolver”, ou ainda “que não está preparado para ter uma mulher como ela”.

Essa esperança faz com que ela continue a insistir na realização do desejo, mas o não é ainda sua resposta, e a partir deste não a frustração vai transformando-se em RAIVA.

A raiva que a mulher sente é a revolta pela não realização do desejo, ao sentir raiva a mulher vai se distanciando da realização do desejo, mas ela ainda pode criar mais uma idéia para manter-se na fantasia, mas esta tem um aspecto diferente da anterior, ela é carregada de cinismo, a mulher pode dizer, “ele não me quer, mas tem quem quer”, “não sei onde eu estava com a cabeça quando me interessei por aquele cara”, desta forma a mulher consegue aceitar o não, mas mantém uma ilusão sobre si mesma e sobre a realização deste desejo, ou seja ela ainda está em uma fantasia. E na medida que a mulher sente raiva, mas ainda persiste na realização do desejo, que continua a ser negado, a raiva começa a dar lugar a um sentimento de TRISTEZA.

A tristeza é a constatação do não, ele não a quer e não há como mudar isso, desta forma a mulher mergulha mais no seu realismo ficando mais perto da consciência da não realização do seu desejo, mas ela ainda pode criar mais uma idéia de esperança evitando assim o confronto com a tristeza, ela pode dizer coisas como: “Não importa que ele não me quer, mas eu quero!” Exibindo um comportamento de birra e obstinação, desta forma a mulher pode lutar contra o não, essa luta não se trata de conquistar o homem, mas de manter a fantasia que seu desejo possa ser realizado.

Na medida que a mulher sente a tristeza e reconhece que ele não a quer o próximo sentimento é a ACEITAÇÃO DO NÃO, é quando mulher realmente reconhece que seu desejo não será realizado, é como uma conformação perante a realidade.
Mas, perante a tristeza e a aceitação do não, a mulher pode desenvolver mais uma saída para a fantasia, criando idéias destrutivas ou autodestrutivas que podem ser expressas em frases como: “Ele não me quer, mas ele não vai ter ninguém”, “sabia que ele é Gay”, ou ainda “ele não me quer porque sou gorda”, assim ela encontra uma justificativa que a impede para a aceitação da realidade do não,

Mas ao vivenciar a aceitação do não o começa a brotar um sentimento de AMADURECIMENTO DO NÃO, a mulher passa a aceitar uma substituição para a perda de seu objeto de desejo, pode começar a procurar um outro tipo de solução para solucionar o mesmo desejo, “se ele não me quer tem aquele meu amigo que me quer”, e assim passa a mobilizar o desejo em relação a outro objeto, que lhe trará uma calma interna e uma descarga tensional, a mulher aceita esta reformulação de sua autoimagem  e aceita a impossibilidade da realização do desejo.

Mas ainda pode haver uma ultima tentativa de manter o desejo vivo, que está ligado a APATIA e ao DESANIMO, que pode ser enunciada com frases como: “se ele não me quer não quero mais ninguém”, desta forma a mulher desistirá de lutar contra o não, mas ao não aceitar uma substituição se mantém disponível para um possível realização do desejo.

A pessoa que consegue sentir toda a seqüência destes acontecimentos, pode perceber seu amadurecimento psicológico, pois entra em contato com emoções adultas como humildade, reconhecimento do não, e a perda da onipotência, a consciência destes sentimentos abre caminho para a sabedoria.

Nesta situação hipotética, o homem em nenhum momento cede às pressões da mulher e a aceita, imaginemos que em algum momento ele ao menos fique com ela, alimentando ainda mais a possibilidade da realização do desejo. Que efeitos desastrosos teria na vida desta pessoa? 


Referencia Bibliografica: Analise Psicodramática, Vitor R. C. S. Dias.