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domingo, 25 de setembro de 2011

O PODER DAS PALAVRAS


O nosso mundo é carregado de uma atmosfera opressiva de afetos e palavras, são as palavras que nos ameaçam, nos oprimem, mas também são elas que podem nos libertar. As palavras trazem ensinamentos e nos moldam de acordo com o coletivo, elas nos dizem como devemos ser com os moldes dos outros, o que vem a criar dentro de cada um de nós uma voz autoritária, esta que termina por dirigir as nossas vidas, ela pode ser representada de diversas formas: o pai, a familia, a religião ou o social.

A consequencia disto, é que estamos sempre ou quase sempre anulando os nossos pensamentos, sentimentos e atos, porque os outros acham que não se pode, que não se deve, que não fica bem, que não é certo e etc. E em virtude da nossa não ação nos aprisionamos pela pressão externa do social, vivendo tolhidos e desenvolvendo uma exsistencia angustiada.

Vivemos em um mundo em que estamos em permanente relação com o outro, e ao curso da nossa vida com palavras nós influenciamos e somos influenciados, sufocamos e somos sufocados,e é pelas palavras que aprisionamos e somos aprisionados. A nossa angustia surge por nos sufocarmos para satisfazer as expectativas dos outros e ao fazer o que eles esperam de nós, anulamos nossa liberdade e espontaneidade, o que me traz mais tristeza é que a maioria das pessoas não percebe esse processo, apenas sente seu efeito. A Aflição.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

COMO VOCÊ REAGE A UM "NÃO"!!!!


Como respondemos a um não? Como reagimos frente a negação de um desejo?
Todo desejo causa alguma tensão em nós, e temos a sensação de que esta tensão só passará assim que realizarmos esse nosso desejo. A satisfação só virá a partir da satisfação deste nosso especifico desejo, mas e quando não conseguimos realizá-lo quais são nossas reações?

Digamos que uma mulher deseje muito um homem, e que este sentimento não seja recíproco da parte dele, e não queira ficar com ela, este “não” é um impedimento do qual a mulher não tem nenhum controle, e ao entrar em contato com esse não é criado um impasse na realização do desejo feminino, ela sente que pode realiza-lo mas a realidade externa impede esta realização. Como conseqüência a mulher sente-se FRUSTRADA.

Ao sentir-se frustrada a mulher aproxima-se mais do seu conceito de autoimagem perante a realidade, tornando-se mais realista e menos idealista, mas o problema está apenas começando, ao poucos a mulher vai começando a aceitar o não, mas sua mente pode lançar uma idéia para evitar esta realidade e consequentemente uma mudança em seu autoconceito, essa idéia é uma racionalização para manter a ilusão de que o seu desejo foi apenas adiado e ainda pode ser satisfeito, ela pode racionalizar que ele lhe diz não e que “é porque tem medo de namorar, de se envolver”, ou ainda “que não está preparado para ter uma mulher como ela”.

Essa esperança faz com que ela continue a insistir na realização do desejo, mas o não é ainda sua resposta, e a partir deste não a frustração vai transformando-se em RAIVA.

A raiva que a mulher sente é a revolta pela não realização do desejo, ao sentir raiva a mulher vai se distanciando da realização do desejo, mas ela ainda pode criar mais uma idéia para manter-se na fantasia, mas esta tem um aspecto diferente da anterior, ela é carregada de cinismo, a mulher pode dizer, “ele não me quer, mas tem quem quer”, “não sei onde eu estava com a cabeça quando me interessei por aquele cara”, desta forma a mulher consegue aceitar o não, mas mantém uma ilusão sobre si mesma e sobre a realização deste desejo, ou seja ela ainda está em uma fantasia. E na medida que a mulher sente raiva, mas ainda persiste na realização do desejo, que continua a ser negado, a raiva começa a dar lugar a um sentimento de TRISTEZA.

A tristeza é a constatação do não, ele não a quer e não há como mudar isso, desta forma a mulher mergulha mais no seu realismo ficando mais perto da consciência da não realização do seu desejo, mas ela ainda pode criar mais uma idéia de esperança evitando assim o confronto com a tristeza, ela pode dizer coisas como: “Não importa que ele não me quer, mas eu quero!” Exibindo um comportamento de birra e obstinação, desta forma a mulher pode lutar contra o não, essa luta não se trata de conquistar o homem, mas de manter a fantasia que seu desejo possa ser realizado.

Na medida que a mulher sente a tristeza e reconhece que ele não a quer o próximo sentimento é a ACEITAÇÃO DO NÃO, é quando mulher realmente reconhece que seu desejo não será realizado, é como uma conformação perante a realidade.
Mas, perante a tristeza e a aceitação do não, a mulher pode desenvolver mais uma saída para a fantasia, criando idéias destrutivas ou autodestrutivas que podem ser expressas em frases como: “Ele não me quer, mas ele não vai ter ninguém”, “sabia que ele é Gay”, ou ainda “ele não me quer porque sou gorda”, assim ela encontra uma justificativa que a impede para a aceitação da realidade do não,

Mas ao vivenciar a aceitação do não o começa a brotar um sentimento de AMADURECIMENTO DO NÃO, a mulher passa a aceitar uma substituição para a perda de seu objeto de desejo, pode começar a procurar um outro tipo de solução para solucionar o mesmo desejo, “se ele não me quer tem aquele meu amigo que me quer”, e assim passa a mobilizar o desejo em relação a outro objeto, que lhe trará uma calma interna e uma descarga tensional, a mulher aceita esta reformulação de sua autoimagem  e aceita a impossibilidade da realização do desejo.

Mas ainda pode haver uma ultima tentativa de manter o desejo vivo, que está ligado a APATIA e ao DESANIMO, que pode ser enunciada com frases como: “se ele não me quer não quero mais ninguém”, desta forma a mulher desistirá de lutar contra o não, mas ao não aceitar uma substituição se mantém disponível para um possível realização do desejo.

A pessoa que consegue sentir toda a seqüência destes acontecimentos, pode perceber seu amadurecimento psicológico, pois entra em contato com emoções adultas como humildade, reconhecimento do não, e a perda da onipotência, a consciência destes sentimentos abre caminho para a sabedoria.

Nesta situação hipotética, o homem em nenhum momento cede às pressões da mulher e a aceita, imaginemos que em algum momento ele ao menos fique com ela, alimentando ainda mais a possibilidade da realização do desejo. Que efeitos desastrosos teria na vida desta pessoa? 


Referencia Bibliografica: Analise Psicodramática, Vitor R. C. S. Dias.